E Foi Mesmo!
Boas.
Como eu tinha dito ontem, confirmou-se mais um momento de glória do FC Porto no estrangeiro, com a conquista da Liga dos Campeões. Foi mais uma das muitas alegrias que esta equipa nos deu nestes dois anos.
Neste ciclo que durou dois anos e, penso eu, terminou ontem (dada a saída do treinador e de um ou outro jogador) há muitos dados a reter. Perdoem-me os adeptos de outros clubes, mas penso que o maior feito da história do futebol português foi conseguido por este Porto "era-Mourinho". Só o Liverpool e a Juventus haviam ganho duas competições europeias em anos seguidos,e o Porto juntou-se a estes clubes. E também há outro motivo: ser campeão europeu actualmente não é a mesma coisa que ser campeão europeu nos anos 60 e 80. Essas competições nesses anos eram disputadas apenas entre os campeões de todos os países da Europa (colossos como Espanha, Itália, Inglaterra ou Alemanha só tinham um clube na competição, actualmente têm 3 e 4), os clubes só podiam actuar com três estrangeiros e não havia o fosso económico que hoje existe. Eu pessoalmente sou sincero: até há 2 ou 3 meses atrás achava impensável um clube português ganhar novamente esta competição. O Porto provou-me que era possível.
Este Porto 2002-2004 deve ser tido como um exemplo para todos. Esta equipa portuguesa (constituída na sua maioria por portugueses) pôs de lado aquele espírito tipicamente "tuga" dos "coitadinhos que não são capazes disto e daquilo". Esta equipa não teve medo de ir à Grécia (onde nunca tinha ganho) em desvantagem, não teve medo de enfrentar o (outrora) colosso Lazio de Roma, vergando-o a uma goleada, não teve medo de defrontar, desfalcadíssimo, o rico e poderoso Manchester United,e não teve medo de ir à Corunha, onde ninguém ainda havia marcado golos e poucas semanas antes o campeão europeu saíra derrotado por 4-0. Esta equipa mostrou que querer é poder e que todos os obstáculos são ultrapassáveis.
Com um plantel feito na sua maioria por jogadores portugueses, uns vindos dos escalões de formação (Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Ricardo Costa), outros de equipas mais pequenas (Paulo Ferreira, Nuno Valente, Pedro Mendes, Deco, Derlei), outros vindos do estrangeiro e de equipas rivais (Maniche, Jankauskas, Ricardo Fernandes, Alenitchev, Costinha, McCarthy), esta equipa cresceu e ganhou dimensão internacional, mostrando como se combate contra os milhões de euros e os jogadores-vedetas de formações internacionais: com um conjunto forte e unido.
Na hora da vitória, há também que dar os parabéns aos adversários. O Monaco fez uma campanha extraordinária, e não merecia ter saído da Alemanha derrotado por aqueles números. Deixou pelo caminho equipas como o Chelsea ou o Real Madrid, deu espectáculo ao humilhar o Deportivo por claros 8-3 e deu a conhecer novos valores para o futebol mundial, casos de Evra, Rothen, Zikos ou Prso (já não vou falar de Giuly ou Morientes, que já eram conhecidos). Um aplauso também para Didier Deschamps. Aos 35 anos e na sua primeira experiência como treinador, mostra já qualidade para glórias futuras, tantas quantas as que conquistou como jogador. Um senhor até nas palavras: na hora da derrota, soube reconhecer a superioridade do adversário e dar os parabéns aos seus jogadores.
Por fim, o homem por detrás destes sucessos. Reconheço que é difícil gostar-se dele, mas José Mourinho tem dado provas de enorme competência e espírito ganhador. À arrogância que lhe acusam, ele justifica com vitórias. Um técnico que há dois anos não tinha nenhum título, hoje tem 2 campeonatos, uma taça, uma supertaça, uma liga dos campeões e uma taça UEFA e é, se não estou em erro, o único treinador português com duas competições europeias no currículo. Teve os seus momentos infelizes (os casos de Alvalade e do Jamor foram exemplos), mas ninguém lhe tira o mérito de ter pegado numa equipa em decadência e levado às grandes vitórias europeias. Por mim falo: se me derem a escolher entre um treinador simpático e um antipático, eu escolho um treinador que vença. E Mourinho é um vencedor.
Fecha-se assim um ciclo de uma das melhores equipas da história do futebol português (senão a melhor). Aos que partem, muito obrigado e boa sorte; aos que chegam, boa sorte e dêem o vosso melhor. A nós, adeptos, é esperar por mais glórias como as que ontem nos deram, a começar pelas nossas selecções, que iniciam amanhã (sub-21) e dia 12 (AA) o seu percurso rumo à glória europeia. Cá os apoiamos.

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