Tainadores

Tainadores: Grupo de pessoas (amigos, ou não) que andam praí a tainar.

terça-feira, outubro 19, 2004

Há umas giras...

Confesso que não vi o jogo pela televisão; confesso que por muito que gostasse de ver um jogo destes no estádio não me deslocaria lá nem que me pagassem. Ouvi o jogo pelo rádio e soube logo desde o inicio da semana que não ia ser muito bem jogado e que iriam haver casos por resolver, como acontecem em quase todos os jogos que opõem os chamados "grandes" do nosso futebol. Grandes só no numero de adeptos, porque não é pelos homens (com agá minusculo) que os dirigem. Esses, meus caros, são bem baixos.
Não vale a pena estar à procura de quem tem razão num caso que nem deve sequer ser capa de jornais; se o Porto não cumpriu prazos para pedir bilhetes, é porque a regulamentação da Liga está incorrecta ou omissa: todos os adeptos do clube visitante devem poder assistir aos jogos no estádio no máximo de conforto e segurança que o visitado pode oferecer! Têm, obrigatoriamente, de haver regulamentos que obriguem o clube visitado a ceder um sector, ou zona, do estádio - tal como os bilhetes para essa zona - sem ser preciso pedir autorizações, faxes e palermices. Isso, na minha modesta opinião, é para encher chouriços.
Durante a semana inteira assistiu-se à baixaria dos tiros esporádicos para o campo do inimigo; atiçou-se a populaça de um e outro campo, prometeu-se sangue, suor e lágrimas. Prometeu-se justiça que não está e espero que nunca esteja nas mãos de nenhum destes senhores. Prometeu-se trinta por uma linha... e o resultado?
Um jogo não muito bonito, em que a equipa que tem melhores jogadores mas ainda não tem uma equipa, ganhou por 1-0; um grande golo do Benni McCarthy; uma atitute de raça do Benfica na segunda parte e domínio completo. O que vem a seguir é mau demais para ser verdade...
  • lance do penalti, há ou não penalti? Aqui as opiniões dividem-se, com os benfiquistas a dizer que foi claríssimo e os portistas a dizer que não. Não vi o lance mas na TSF e na RR os comentadores também tinham opiniões distintas. Porém, na maioria, deram o beneficio da dúvida ao árbitro porque consideram que o puxão não era passivel de fazer cair o Karadas, que poderia ter feito melhor.
  • As expulsões, que também não vi no resumo. Segundo a rádio foram ambos bem expulsos, se bem que na TSF só tenham visto a agressão do Pepe, mas do estudio disseram que pela TV se tinha visto a do Nuno Gomes. Na RR viram as "pergunta e resposta" - depois do clima criado por quem paga os salários, os elos mais fracos destacam-se da forma mais baixa.
  • O golaço/frango do Petit/Baia que foi ou não foi... esta é dificil e pelo que vou dizer serei crucificado e estarei a ver pela minha preferência clubistica (é a Académica, senhores!). Quando a bola bate na linha não está totalmente dentro, e um golo só é validado, pelas regras, quando transpõe completamente. A melhor visão, e mais conclusiva, é essa, porque não há uma unica imagem, seja de televisão ou de jornais, que MOSTRE CLARAMENTE que a bola antes de ser tocada pelo Baia estava dentro da baliza. É claro que, pela movimentação da bola e pelas leis da fisica, a bola tem tendência a entrar, mas - e repito - pelos regulamentos a bola tem de transpor completamente. Seria sempre uma decisão controversa, quer o árbitro decidisse por ser ou não golo. Se não tivesse sido, hoje os jornais fariam manchete com algo do tipo "Foi ou não golo?" e teriam milhares de comentadores especializados a garantir o que não dava para garantir.

Compreendo a defesa que fazes da tua honra, Daniel, mas também exageras um pouco. Não é assim tão claro. Se isto tivesse acontecido ao contrário possivelmente terias opinião contrária, mas é dificil especular. Também é exagero, como classificaste a opinião anterior, a declaração do Trappatoni em como a bola estava uns 30 cm dentro da baliza... uma precisão dessas vendo-se do banco de suplentes é genial!

Também sei que podem até considerar que os meus argumentos são válidos mas vão dizer que o árbitro erra sempre para o mesmo lado, o que também não é verdade. Posso dar um exemplo: o sr. José Veiga disse que era inadmissivel o Jorge Costa não ter visto um unico cartão amarelo. No jogo Académica - Benfica o Petit tem duas entradas muito parecidas a meio campo, por trás, que mereceriam no mínimo um amarelo... que só viu a 10 minutos do fim, quando o Benfica já ganhava e num lance em que o árbitro até foi rigoroso demais.

O que se passou depois na sala de imprensa é digno do anedotário, nem merece comentários. Merece somente uma opinião: os dirigentes dos clubes têm protagonismo a mais, são vistos e reverenciados quase como Deuses; o Luis Filipe Vieira esta semana foi mais lider da oposição que o José Socrates. Isto é inadmissivel! Quem diz o LFV diz o PC ou o Dias da Cunha, ou outro qualquer. Eles são do futebol, não têm que procurar protagonismo noutros campos; não têm que meter o nariz noutros clubes que não o seu. Não simpatizo com o LFV tal como muitos não simpatizam com o PC, mas o ano passado, após a morte do Féher, viu-se este senhor muito triste, indignado com aqueles que só usavam o futebol para protagonismo e para aparecerem mais vezes na televisão; disse que só lhe interessava o desporto e que não comentaria casos e casinhos. Nessa altura admirei-o, e admirei a coragem. Admirei o comportamento dos adeptos do Benfica, que foram dignos nas derrotas (campeonato, taça uefa) e nas vitórias (taça de Portugal). Mas quando o vejo a provocar situações que ele disse que não mais faria considero que esse senhor não tem mais crédito nenhum - como dirigente, como homem de negócios, como pessoa.

Já é a segunda vez este ano que ele ameaça fazer declarações bombásticas e não se calar. Da primeira ainda estamos para ouvir o que tem para dizer... agora, vai ser o mesmo?

Lamento que o Porto tenha ganho desta forma, e lamento que o Benfica tenha perdido desta forma; no futebol não há resultados justos e eu não acho que o empate fosse o melhor resultado. Se houvessem sempre os melhores resultados, ou os mais justos, o futebol não era um desporto tão apaixonante. Mas além dos jogadores, que são os reis do espectáculo e podem decidir um jogo com um momento magistral (golo do McCarthy), também os árbitros têm o seu papel, sempre ingrato: o papel de tomar decisões, que podem ou não ser acertadas. Mas eles são homens, erram. Eles têm de decidir no momento, logo podem errar; e mesmo que errem não podem voltar atrás. Quem nunca tomou decisões erradas na vida? Ou quando as tomaram houve alguém que vos pagou para as tomarem? A diferença entre o corruptor e o corruptivel é ténue, mas a diferença entre um erro pessoal e um julgamento publico é abismal.